domingo, 3 de outubro de 2010

Deficientes físicos e o esporte

Por Marcela Romeiro e Taany Maeno

Cadeirantes do GADECAMP treinam no Ginásio de Esportes do Taquaral

    Segundo dado do IBGE, estima-se que há cerca de 24,6 milhões de deficientes físicos no Brasil, o que corresponde a 14,5% da população. As dificuldades encontradas por uma pessoa que tem alguma limitação física na sociedade vão desde a procura por um emprego até o seu convívio familiar. No entanto, nem todos deixam se abater e encontra uma forma de superar seus obstáculos de uma maneira um tanto incomum: o esporte.

   A prática de atividade física é cada vez mais uma constante entre deficientes. Há várias modalidades reconhecidas pelo Comitê Paraolímpico Brasileiro, como o Atletismo, Ciclismo e Natação. Em Campinas, por exemplo, a GADECAMP (Grupo de Amigos Deficientes e Esportistas de Campinas) é especializada em basquete para cadeirantes. Milton Marcelino, presidente da instituição, diz que no momento o projeto é desenvolvido somente com pessoas do sexo masculino, pois são os que mais procuram pela modalidade, porém, não descarta a integração das mulheres no projeto. “Há um grande possibilidade de montarmos equipes femininas, posteriormente. O grande empecilho no momento é a falta de tempo, e a questão de não termos um ginásio próprio, o que dificulta a disponibilidade do local que nos é concedido pela prefeitura”, complementa. Quanto as principais dificuldades encontradas no processo de aprendizado do basquete, Marcelino diz que em um primeiro momento, o deficiente chega inibido e super auto-dependente, porém destaca que “ nesse momento, o próprio esporte entra em ação. Os meninos são motivados a não desistir. Eles ganham confiança e encontram no esporte o motivo para se superarem”.
 Thaís Quallo Ferreira, assistente de coordenação de Esporte Adaptado da Prefeitura de Vinhedo, afirma a importância da prática de atividade física, e ressalta o papel social promovido pelo esporte para pessoas com deficiência. "O mais importante é fazer com que as pessoas tenham consciência que o portador pode e deve desenvolver a prática de algum esporte, sendo isso um meio de sentirem inseridos na sociedade". Porém, observa que "a principal dificuldade está na aceitação do deficiente em acreditar que é capaz de desenvolver atividades".
Um grande exemplo de superação vem de uma pessoa um tanto inesperada: um ex-BBB. Fernando Fernandes, participante do Big Brother Brasil 2, sofreu um acidente de carro em 2009. Fernando, que era modelo, conseguiu paz de espírito com o esporte. “O esporte sempre foi minha vida, e continuou sendo depois do acidente.” Fernando tornou-se campeão mundial de paracanoagem e leva sua experiência para jovens deficientes de todo o Brasil. Ele coloca que sem sua família, não teria chegado tão longe. “Minha família é o que me manteve seguindo em frente. Não sei o que faria sem minha mãe”, completa Fernando.
Família, amigos e instituições de apoio são vitais na vida do deficiente físico. O esporte promove momentos felizes em suas vidas e permitem que continuem seguindo em frente. Apesar de terem perdido uma parte de seu corpo, seu espírito continua vivo e sua vida continua.

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